Consultório de Psicologia Clínica, Psicoterapia e Psicanálise
O sentimento de pertença está intimamente relacionado com uma necessidade básica de todos nós. Ter um lugar é uma das primeiras aquisições de qualquer ser humano. O primeiro lugar é-nos dado pelos nossos pais ainda antes do nosso nascimento. A sua expectativa, a sua fantasia e o seu sonho relativamente ao bebé que vão ter, é o primeiro lugar que temos, mesmo antes de estarmos na barriga da nossa mãe. O primeiro lugar que temos é no coração dos nossos pais!
É uma questão que permanece ao longo da vida. Temos um lugar na família, na escola e junto dos amigos. É impressionante a importância que damos a ter um lugar. Gostamos de nos sentir aceites, valorizados e de nos sentir únicos. É comum que face ao nascimento de um irmão, uma criança mais velha se sinta insegura face ao receio de perder o seu lugar junto dos pais. A criança receia perder importância, amor ou atenção.
É importante para qualquer pessoa sentir que é importante para os outros, que o seu lugar é insubstituível. Quando as pessoas não têm isto sentem-se sempre à parte, sentem ciúmes e mesmo inveja, ficam triste, deprimidas e zangadas com a vida ou com o mundo. No entanto, este lugar vai tendo transformações ao longo da vida. O fundamental é manter um lugar que não é necessariamente sempre igual.
Quando isto falha ou quando perdemos esse lugar ficamos angustiados e tristes. Não ter um lugar é parecido com ser um sem abrigo
Todos nós gostamos de fazer parte de grupos, porque é algo que alimenta este sentimento de pertença. O grupo do bairro, da escola, dos amigos da equipa desportiva ou cultural, dos amigos da faculdade. Gostamos de nos agrupar no trabalho, de ter um clube de futebol a que pertencer. Ter um lugar é como ter uma casa onde nos sentimos protegidos e em segurança. Quem não gosta depois de um dia duro de trabalho, chegar à sua casa e sentir que é o sítio onde se sente em paz e descansado. Algumas pessoas, quando se ausentam de casa nas férias durante algum tempo, é comum por vezes terem saudades e quando voltam apesar de regressarem ao trabalho gostam de voltar para o seu “ninho”. Há pessoas que nem conseguem dormir bem fora da sua casa, tal é a importância que esta questão tem dentro delas.
Vejamos os lugares que tenho! Tenho o lugar de filho, de pai, de marido, de amigo, de psicólogo, de colega, de português, de benfiquista… e mais alguns! Sobretudo o que eu gosto mais, é que tenho um lugar a que posso chamar meu e que me faz sentir especial e feliz!
Alexandre Silva