Jogo e Psicodrama

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O Psicodrama Psicanalítico utiliza frequentemente o jogo como uma forma de a pessoa ter experiências, através das quais se pode relacionar, ver, rever, sentir e dar-se a conhecer, brincar, competir, ganhar ou perder, e assim ter um meio de aprender com a experiência.

No Dicionário dos Símbolos, Jean Chevalier e Alain Geerbrant apresentam uma definição do Jogo como um activador da imaginação e estimulador da emotividade. Quando se joga é inevitável, que o mesmo adquira significados e consequências. Brincar significa dar-se ao objecto da sua brincadeira, e por isso o jogo adquire uma característica mágica que desperta a vida. «O método do Psicodrama, de que Moreno foi o brilhante inventor, utiliza as propriedades formativas, didácticas, por assim dizer terapêuticas, do jogo e da grande quantidade de símbolos que ele mobiliza.» (pp.388)

A possibilidade de jogar os cenários interiores da mente, é uma oportunidade para o ser se descobrir e melhorar, sem perder a sua individualidade. No jogo a pessoa descobre-se na sua espontaneidade, libertando-se das amarras do passado, sente a sua criatividade amplificada com todas as oportunidades de transformação que daí decorrem.

O tratamento psicológico através do Psicodrama é um meio por excelência para mudar através da experiência do jogo. Poder brincar e experimentar novos pontos de vista, é ter a possibilidade viver no palco psicodramático sensações, emoções e situações que são uma metáfora dos conflitos psíquicos sem o peso negativo que diariamente costumam ter. São estas propriedades terapêuticas que o Psicodrama Psicanalítico permite viver e que provocam as mudanças interiores libertadoras.  O sintoma asfixia, prende, atemoriza, confunde e pesa. O jogo simbólico, convoca o sentimento, mobiliza o pensamento e ajuda a recordar, mas de forma diferente. É uma memória insaturada de significados, com possibilidade de mudança. Como se diz hoje em dia, ficamos uma App nova, isto é, o jogo psicodramático permite à mente uma Apptidão em que o recordar não fica refém do passado e introduz novidade, acrescentando conhecimento e possibilidade de escolha.

Alexandre Castro e Silva

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