O Medo, a Coragem e a Bola de Cristal!

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Queridos leitores,

A decisão de procurar a ajuda de um psicólogo para resolver problemas psicológicos nunca é simples ou tomada de ânimo leve.

Não é preciso estar com uma doença psíquica muito grave para o fazer, basta ter um problema para o qual não se encontra solução. Todas as pessoas gostam de se sentir bem, descontraídas e seguras e de estarem no controle das suas capacidades psíquicas. Gostam de ter um rumo na vida, saber o que querem e se possível trabalham para o conseguir. Não é fácil descobrir que pode haver uma parte de nós, os sintomas, que escapam a tudo isto e que teimam em perturbar senão limitar a nossa liberdade e assim, a nossa vida. O pior de tudo é que quanto mais se adia, mais crescem de tamanho e até mudam de forma.

Como voltar ao tempo em que não havia este stress? Em que não tínhamos estas preocupações na vida?

O primeiro obstáculo para pedir ajuda a um psicólogo são muitas vezes os medos. E sobre estes há para todos os gostos. O medo da exposição perante outra pessoa. ou do que possa pensar de nós. O medo de podermos confirmar que há algo de errado com a nossa cabeça ou de podermos estar perder o juízo! O medo de descobrirmos algo de muito vergonhoso ou de assustador dentro de nós. O medo de ficarmos vulneráveis perante outra pessoa. O medo de enfrentar a ideia de não sabermos resolver algo que se passa dentro de nós, e de confiar noutra pessoa para aprender a fazê-lo. O medo da mudança e de ficar desorientado face ao que é ainda desconhecido!

O medo faz hesitar, adiar e por vezes desistir de marcar a primeira consulta. Por vezes, há pessoas que vão à primeira consulta mas não continuam. Assustam-se ainda mais. Confirmam que precisam de ajuda mas que o processo terapêutico implica um investimento para o qual estão convencidas não ter energia disponível.

Como ultrapassar o medo?

Ter coragem para o enfrentar. Parece simples mas não é!

Ganhar coragem de enfrentar os problemas não é tarefa fácil! É necessária ousadia, curiosidade e um pouco de fé. Não religiosa porque não é desses assuntos que aqui escrevo. Fé nos acontecimentos, no psicólogo e sobretudo em si próprio e na capacidade de mudança! Fé que a coragem para descobrir a(s) verdade(s) da nossa alma, vai permitir-lhe resplandecer de acordo com a sua natureza própria e que faz de cada um de nós único. É preciso deixar que o motor da vida nos leve para a frente, com alguma dose de loucura sadia! É evidente que nenhum de nós sabe como termina uma psicoterapia quando a está a começar. No entanto, é um dos melhores projectos que um ser humano pode ter, descobrir o seu universo interior pode ser uma experiência fantástica e que traz à nossa vida uma liberdade incomparável. O que é que interessa porque começa, se é devido a um divórcio, a crises de ansiedade, a uma depressão, a uma impotência sexual, a problemas escolares, laborais ou outro motivo qualquer. O que interessa é como termina e toda a riqueza do que se aprende pela experiência neste caminho!

E o que é preciso para conseguir chegar ao fim de um tratamento psíquico com bons resultados?

Em primeiro lugar, como é evidente é importante ter um bom psicólogo e psicoterapeuta disponível para realizar este percurso connosco. Um bom psicoterapeuta é uma pessoa que tem formação e conhecimento nos diferentes problemas psicológicos que perturbam ou afligem as pessoas. Depois treinou-se através de sua experiência profissional e de incontáveis horas de supervisão. Pela forma como encaro esta profissão, cabe-nos ter um treino constante nas relações humanas que nos permita ser eficazes na mudança de quem nos procura.

Em segundo lugar, por vezes as pessoas quando estão muito aflitas esperam da parte do psicólogo uma intervenção rápida, eficaz e indolor. Pois é, isso não existe! Que chatice! Nesta época em que tudo é tão rápido, como é possível?

Então a pessoa pensa: Mas o psicólogo não tem uma bola de cristal onde vê tudo? Não vê logo ao olhar para mim o que se passa, as causas, é só dar-me a solução!

Oops! Não, …de facto isso não há! Temos pena!

Mas a pessoa insiste nesta fantasia:

Então não tem nada que não me obrigue a pensar, sem falar sobre o que me dói, sem ter de expôr as minhas emoções, sem revelar as minhas fraquezas e defeitos. Não aí nada assim tipo “Pronto a Vestir”, afinal de certeza que já viu pessoas com os mesmos problemas que eu. 

Não aqui é um trabalho de alfaiate! Tem de ser à medida! 

A psicoterapia implica em alguns momentos enfrentar a dor mental, mas sempre com o objectivo de uma transformação que traga liberdade e bem estar. Percebo perfeitamente que quando uma pessoa está farta de sofrer tenha receio de realizar um processo onde a dor está presente. No entanto, mais vale usar a dor para conseguir a cura do que passar uma vida a adoecer fugindo dela!

Grande abraço,

Alexandre Silva

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