Férias, a Bênção ou o Pesadelo!

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Estamos em tempo de férias, altura para descansar, relaxar e fazer aquilo que durante o ano raramente temos tempo. Altura de ir à praia, passar o dia de papo para o ar, juntar os amigos numa churrascada ou sardinhada conforme a preferência. Momentos para não pensar em nada, não ter horários, obrigações, stress ou preocupações. Altura para ler o livro que nunca há tempo para ler, para fazer a viagem que andamos há tanto tempo a sonhar ou simplesmente para ter um tempo de qualidade junto dos que mais amamos…

Tempo de aventuras novas, paixões de verão e festa rija! Há quem passe o ano todo a sonhar com estes dias, falam sobre isso, queixam-se do dia a dia mas sempre com as férias no horizonte do imaginário. Para uns é momento de juntar as famílias, bisavós, avós, pais, filhos, tios e primos, momento para reencontros e partilhas que não tiveram espaço durante o ano. Para outros, é momento de sair pelo país ou pelo mundo em viagem, e de preferência bem longe da família.

Paradoxalmente, as férias podem ser uma bênção ou um pesadelo! Quando as pessoas estão sozinhas as férias relembra-lhes e amplia este sentimento de solidão. Não querem ir para lado nenhum sozinhas, e lembram-se que as pessoas que estão longe delas também não querem estar com elas. Outros apesar de estarem com as famílias, preferiam não estar, discutem mais, têm lutas de razão, discordam e desgastam-se com as diferenças que não conseguem resolver. É muita hora juntos e quando a comunicação é pobre fica mais difícil negar o problema. Quantas vezes os casais discutem tanto durante as férias que só aí começam a perceber como a sua relação está com problemas. Muitas vezes também a relação entre pais e filhos pode ser complicada, porque se há conflitos mal resolvidos, tensões mal digeridas as férias podem ser assustadoras para uns e para outros.

As férias podem ser uma maravilha quando tudo está bem, uma bênção merecida após um ano de estudo ou de trabalho. Uma paródia ininterrupta com promessa de retorno no ano seguinte. Mas também pode ser um pesadelo, o momento em que o confronto com o vazio se apresenta como inevitável, com aquele vazio emocional que aflige tantas e tantas almas, das mais antigas às mais novas. Face ao pesadelo também há reacções diferentes, uns deprimem-se, ficam tristes e isolam-se, outros fazem uma farra constante, numa fuga para a frente em que agir serve para não pensar. Também para muitos filhos de pais separados não é fácil, porque têm de dividir as férias, sujeitar-se a circunstâncias nas quais não têm muitas vezes opinião, passar mais tempo que o habitual com o padrasto ou madrasta e sua família, com a qual por vezes têm pouca relação.

Se este ano as férias não são para si uma bênção mas um pesadelo, então está na altura de pensar em dar uma volta à sua vida! Porque o pesadelo não nasce com as férias, apenas vem ao de cima…!

Bons mergulhos!

Alexandre Silva

 

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