Consultório de Psicologia Clínica, Psicoterapia e Psicanálise

São 10h e o calor já se faz sentir. Este mês de Julho vai ser quente, pode ser que perca uns kilinhos aqui à porta. A Sra. Rosa sai do elevador, abro-lhe a porta da rua sem olhar para ela, não vá ela meter conversa.
– Bom dia Manuel como está hoje?
– Estou bem e a Sra.?
– Ah meu querido, ainda bem que pergunta, ontem não consegui dormir nada com o barulho daqueles miúdos diabólicos. Não sei como é que mais ninguém diz nada, estiveram até às quatro da manhã a fazer uma chinfrineira. Aqueles pais, como é possível! Vão para fora e eles ficam com a bábá, mas ela não tem mão neles. Aquela mãe francamente, a mulher julga-se superior aos outros e depois é isto, e o marido é um pau mandado. Enfim um horror! Até logo…
– Pois é Sra. Rosa… Espero que o dia seja melhor que a noite.
A Sra. Rosa já tem 70 anos, mete o nariz em tudo. Tem falta do que fazer e não sei porquê acha que eu gosto de ouvir as histórias dela, deve julgar que faz parte das minhas funções de porteiro saber estas coisas. Os miúdos de que se queixa são umas pestes, O Martim e o Salvador são gémeos e têm dez anos. A bábá é a Cristina, prima do meu cunhado, diz que passam o dia e a noite a jogar consola. Os pais foram a Paris no fim de semana a uma exposição qualquer. A mãe, a Sra. Isabel Marquês acha que tem pedigree e que é mais que o comum dos mortais. Em 20 anos que estou aqui à porta a trabalhar, nunca trocou mais do que duas palavras comigo. O marido é um bonacheirão, faz tudo o que ela quer, é a forma que ele conhece de mostrar que gosta dela. É ele que ganha a massa e ela que a gasta, não sei como a atura.
Antes de almoço há mais movimento à porta. Os meninos e meninas chegam da equitação, eles chegam do golfe e elas do cabeleireiro. Este prédio é só disto, também não é para menos é com cada apartamento. E numa zona nobre, morar na Avenida da Liberdade em Lisboa não é para qualquer um e para mim é bom, porque eles dão boas gorjetas o que a acrescentar ao salário não é nada mau. Aqui temos administradores de empresas, advogados dessas sociedades importantes, uma empresária da moda, um industrial dos vinhos e cafés, alguns deputados daqueles que às vezes também são administradores, angolanos cheios dele e agora até compraram a penthouse lá em cima. Um Árabe qualquer, parece que veio lá dos Emirados e pagou a pronto a um dos Salgados antes da bronca estalar. E pelo que soube ontem, o sétimo andar foi comprado por uma mulher mas não sei mais nada sobre ela. Parece que se muda hoje e vem buscar a chave aqui à recepção.
Ao meio-dia encontram-se no átrio a Sra. Rosa, a Dona Manuela Albuquerque de Britto, esposa do Dr. António de Britto um advogado das altas esferas, e o choninhas cá do prédio. Tirou o curso de gestão na Católica e a mãe arranjou-lhe um cargo na companhia de electricidade do Estado.
– A Dona Manuela sabe quem é que comprou o andar lá de cima? – perguntou a Sra Rosa
– Sei sim, parece que é um árabe primo do filho do xeique lá dos Emirados. Eu soube porque foi a Sociedade onde o Toninho trabalha que mediou o negócio. Parece que é cheio dele.
O choninhas depois de abanar a franjinha para o lado apressa-se a acrescentar com a sua voz meio efeminada:
-Pois mas a mãezinha está um pouco assustada, tem medo que seja um desses radicais com ligações aos mouros e que ponha aqui uma bomba e vamos todos pelos ares.
– Cruzes credo, acha? Nem quero pensar!
Pois é, pensar também não é lá muito típico da Sra. Manuela. Há-de vir o dia em que pense pela cabeça dela em vez de repetir as intrigas que lhe contam. Enquanto o grupinho está a meter o nariz na vida dos outros, chega um mensageiro de carrinha com uma encomenda.
– Boa tarde encomenda para o 25º Andar, assine aqui por favor!
– Muito bem está entregue. Uma caixa pesada com cerca de 1 metro quadrado!
Ó Sr. Manuel o que é isso? – pergunta o choninhas.
– O Sr. acha que eu sei, não vê que está fechada!
A Sra Rosa espreita para a etiqueta e saem juntos pela porta a murmurar qualquer coisa.
16h, chega um Audi topo de gama à porta com motorista. Abro a porta do carro e sai de lá uma morena com cabelos castanhos. Tem um vestido lilás colado ao corpo e pergunta-me:
– Boa tarde, sou Mónica Briosi e disseram-me para levantar a chave do meu apartamento na recepção com o Sr. Manuel.
– Com certeza minha senhora, estava à sua espera – desde que nasci pensei eu – posso ajudar com a sua bagagem?
– Sim, obrigado!
– Aqui tem a sua chave, bem vinda e estou à sua disposição para o que precisar.
Depois de a levar à porta dá-me uma nota de 50€ de gorjeta, nada mau!
Pego ao serviço às 9h, estou a ler A Bola e as notícias das transferências do Glorioso quando me entra pela porta dentro o Árabe acompanhado de dois homens, três mulheres e cinco crianças.
– Bom dia sou Al Amdil Merouthou. Chego hoje com a minha família para ocupar a penthouse do 25º Andar. Julgo estar a falar com o Sr. Manuel?
– Sim Sr. Al Medil…
– Pode tratar-me por Sr. Merouthou.
Com certeza, Sr. Merouthou. Aqui tem a sua chave e chegou uma encomenda há uma horas que ficou aqui guardada.
Estala os dedos e os dois tipos pegam na caixa e levam-na rapidamente para o elevador.
– Obrigado Sr. Manuel, qual o elevador que devemos apanhar?
– É o elevador nº 3, o único com acesso privado à sua casa, mas eu subo com os senhores para ajudar. – Chegamos à porta e sou convidado a entrar. O senhor Merouthou conta-me que o Pai é árabe e a mãe francesa daí o apelido Merouthou. Estudou em França e agora está em Portugal para gerir negócios na área do turismo. Pergunta-me informações sobre a vida lisboeta e sobre o ambiente no prédio. No fim despede-se cordialmente e desta vez recebo uma nota de cem. Bendito petróleo!!
11h, entra o choninhas com a mãe. A Sra Gertrudes é viúva desde os quarenta e seis, o marido morreu de enfarte do miocárdio. Deve ter sido ela que o matou de tanto lhe azucrinar a cabeça, agora é o choninhas que a ouve.
– Eduardo já te disse que não comas tantos bolos, faz-te mal ao colesterol, e depois ficas com barriga e a pele gordurosa e nenhuma rapariga decente quer casar com um homem assim. Já estás com quarenta anos, já não vais para novo.
– Sim mamã, eu sei mas sabe que eu adoro os bolos daquela pastelaria…
Sai do elevador a Sra. Rosa, a Dona Manuela e a filha Maria Cristina, a solteirona devota da Igreja. Está o circo armado aqui no átrio. A Sra Gertrudes anda a tentar fazer um arranjinho para o filho há que tempos, uma vez até foram ao cinema mas aquilo não passou das pipocas. Também só se estragava uma casa, o pior é que aquilo não ata nem desata.
– Bom dia como estão hoje?- Diz a Sra. Gertrudes a puxar o filho pelo braço que meio enjoado faz um sorriso amarelo.
– Bom dia, a vizinha sabe que já cá está o xeique? – diz a sra. Rosa muito animada
– Claro que sei! – diz a Sra. Gertrudes – Eu estava à janela quando chegaram, e o senhor Abílio, aquele que é reformado da Marinha disse-me que ele veio com a família toda e levaram uma grande caixa para cima.
– Uma caixa pois… – diz o choninhas – era de ferro, preta e muito pesada! Roupa não podia ser e móveis também não porque não era assim muito grande.
– Se calhar são coisas radioactivas, sabe que o chumbo isola a radioactividade, Ah Ah! – Afirma a Maria Cristina com aquele ar meio aparvalhado dela. O choninhas com ar surpreendido, ficou a olhar para ela como um burro para um palácio.
Ahhhhhh!…- Suspira o Choninhas
– Ah, Meu Deus!- Diz a mãe dela – Deve ser uma bomba ou então as peças para a montar. Sim já foi em Nova York, depois Madrid, Londres e Paris. Lisboa é a próxima grande metrópole a ser alvo desses radicais, só pode ser isso. Então e ninguém faz nada!
Enquanto está a decorrer este elevado diálogo no átrio do meu local de trabalho sai do elevador a Sra. Briosi. O Choninhas deixa cair o telemóvel que se desmonta todo. A Maria Cristina não quer acreditar ao vê-lo nisto, e pisa-lhe o telemóvel simulando um acidente. A Sra. Rosa espreita pelo canto do olho, e a Dona Manuela e a Sra Gertrudes conversam sobre o tempo mas de antenas no ar.
– Buongiorno!- Diz a Sra. Briosi
– Bom dia- Dizem todos em coro
– Sr. Manuel estou à espera de uma pessoa amanhã de manhã que vem ficar comigo no apartamento, agradeço que lhe dê uma chave. Infelizmente a essa hora não posso estar presente porque tenho uma reunião de trabalho.
– Muito bem senhora! E como se chama essa pessoa?
– Não se preocupe, não tem como se enganar!
– Ouviu isto Rosa, é a nova inquilina, é uma mulheraça já viu mas pela conversa já vi tudo! – Murmura a Dona Manuela, mas como o átrio faz eco apesar de estarem a alguns metros de mim acabo por ouvir tudo.
– Sim estou a percebê-la, deve ser uma dessas acompanhantes de luxo, se calhar de algum mafioso italiano.
– Ó Mariazinha então pisou-me o Iphone? – Diz o choninhas
– Desculpa Eduzinho mas não vi, sou muito despistada!
A sequência de acontecimentos que se sucederam nesta manhã são dignas no mínimo de registo, para que um dia esses cientistas do comportamento humano tenham matéria de estudo:
10h20 – Observo através do sistema de vigilância a Sra Rosa entrar no prédio pela garagem. Foi uma insistência dela a instalação deste sistema após dois roubos que aconteceram no verão passado. Cruza-se com um dos seguranças do Sr. Merouthou que leva a tal caixa e desaparece provavelmente para dentro de uma arrecadação.
10h25 – Sra. Rosa fala ao telemóvel ainda dentro da garagem.
10h30- A Dona Manuela sai de casa no 15º andar e sobe ao 25º andar. Põe-se à porta do apartamento com a orelha encostada.
10h40- O choninhas aparece e tenta com uns arames abrir a porta sem sucesso.
10h45- Vão-se embora pela escada de serviço, certamente porque ouvem o elevador chegar.
10h50- A Maria Cristina liga para a recepção com a voz mal disfarçada, a dizer que é a sobrinha do xeique e vem passar uma semana com o tio. Precisa da chave para entrar mas para eu a deixar com a Maria Cristina, que por coincidência conheceu na faculdade quando fez o Erasmus em Portugal.
11h- Chega a pessoa que a Senhora Briosi estava à espera, acompanhada de um cavalheiro. Tenho de abrir e fechar olhos várias vezes! Não posso acreditar! Fiz o que ela me pediu ainda meio incrédulo. A turminha cala-se por momentos a observar…
– Estão a ver!! – sussurra a Senhora Rosa – Hoje tem aliança e vem com outro. Uma meretriz digo-vos eu, topo-as à légua!
– Já ouvi dizer que algumas cobram 500€ por noite, com acção ou não!- Acrescenta a Maria Cristina
11h15- A Senhora Gertrudes tenta convencer-me que há actividades suspeitas no prédio, e que eu não estaria a fazer o meu trabalho com o devido cuidado.
11h30- Chega a Senhora Marquês com o marido. Diz-me que já soube o que se está a passar e que não vai tolerar nem mais um dia os acontecimentos graves que se estão a passar. Se necessário o marido vai pôr uma acção em tribunal para despejar o novo vizinho.
13h- O Xeique liga para a recepção e pede-me para subir a sua casa, visto estar a precisar de algumas informações.
14h- Sai do elevador nº1 a Senhora Gertrudes com o filho Eduardo. Entram pela porta da frente a Dona Manuela e a Maria Cristina e como se não bastasse saem do elevador nº 2 a Sra. Rosa, a madame Isabel Marquês, o seu pau mandado e as duas pestes.
– Também receberam?- Pergunta a Sra Rosa com ar grave
– Sim sim! – Apressa-se a Senhora Gertrudes – O convite diz que é uma recepção para todos os vizinhos e para chegarmos às 20h em ponto.
– De facto o convite é muito elegante, é claro que eu e o meu marido estamos em todas as festas que valem a pena nesta cidade! – Gaba-se a marquesa cá do burgo – Não é querido?
– Sim Isabelinha, claro que sim!
– A mim não me engana – diz a Dona Manuela – quer juntar-nos para ser mais fácil levar o seu plano por diante, tanto melhor é a oportunidade perfeita para o desmascarar.
– A tua mãe é muito inteligente Mariazinha – diz o choninhas
– Pois é Edu, até logo!
– Aiiiiiii!- Grita o choninhas depois de levar duas biqueiradas nas canelas dos pestinhas.
– Martim e Salvador parem com a brincadeira e venham embora! A mamã tem ir fazer os preparativos para a festa e só faltam 6 horas. É tudo muito em cima do joelho, uma chatice!
15h -Recebo um convite do Árabe:
Senhor Manuel queira aceitar o meu convite para comparecer na minha Festa de Inauguração como meu convidado de honra. Espero que não se ofenda mas tomei a liberdade de lhe fazer chegar um smoking à sua medida para a ocasião. Peço-lhe para chegar às 20h30 e nunca antes.
Cumprimentos,
Al Amdil Merouthou
20h15- A sala está cheia, todos os inquilinos sem excepção compareceram à festa. Enquanto bebem um aperitivo conversam sobre quem será este Árabe. Um dos homens do sr. Merouthou anuncia aos convidados que o seu patrão chegará com o convidado de honra.
As conversas aumentam de tom, afinal de contas quem é o convidado de honra, e se estão lá todos os inquilinos porque não é um deles.
Às 20h30 em ponto subo ao 25º Andar, e qual é o meu espanto quando tenho o anfitrião à minha espera à porta do elevador. Entramos na sala de estar com o resto da família atrás de nós, provocando o espanto de todos os presentes.
– Esta é boa, então o porteiro é que é o convidado de honra, isto só pode ser uma piada! – Afirma sem contenção a senhora Isabel Marquês.
A Sra. Rosa olha para mim boquiaberta, tal como o choninhas e a mamã. A Maria Cristina está com um vestido decotado quase com os airbags a saltar cá para fora. A ameaça da senhora Briosi levou a deixar a beatice em casa. A Dona Manuela com os olhos vermelhos de raiva! Não sei o que a enfurecia mais, se era o decote da filha, a festa estar cheia com o prédio todo ou eu ser o convidado de honra. Confesso que me senti um pouco embaraçado.
O Sr. Merouthou fez questão que me sentasse ao lado dele na mesa. A meio do jantar, o anfitrião ausenta-se para atender um telefonema. Nessa altura um dos homens trouxe a misteriosa caixa para a sala de jantar.
– Estão a ver – começa a Dona Manuela – eu não dizia é agora! Vai-se embora e deixa-nos aqui com a bomba!!
– Que disparate, onde foi buscar essa ideia?- Diz a senhora Briosi muito admirada
– Disparate como? Não fala assim com a mamã, ela sabe do que fala, não sabe que o chumbo serve para isolar da radioactividade. – diz a Maria Cristina
– Pois é, isto é um plano maléfico para um atentado aqui em Lisboa! – apoia o choninhas
– Sim há aqui algo de muito errado – apoia a marquesa – depois da bomba do porteiro ser o convidado de honra, não me admiraria que nos mandasse a todos pelos ares. Nunca fui tão humilhada em toda a minha vida.
– Mamma mia, calma! Estão tudo louco?- Tenta a Senhora Briosi pôr água na fervura.
– Não não, já percebemos tudo, e você também não me engana sua vadia – começa a Sra Rosa – isto é um prédio de gente decente, um dia vejo-a chegar com um homem louro e com barba, anda de aliança e tudo. No outro entra com um tipo moreno e já não tinha aliança. Você tem vida dupla e a sua profissão já todos percebemos qual é!
– O quê, ó sua catatua velha, eu digo-lhe…
– BASTA!!!! – diz o Sr. Merouthou ao reentrar na sala
-As minhas desculpas pela breve ausência mas era um telefonema inadiável de trabalho. Pelo que percebo está na hora de vos dar alguns esclarecimentos.
– Não posso concordar mais! É melhor explicar-se e rápido, olhe que a polícia não tardará, sabe que o meu marido tem contactos no Ministério da Administração Interna- ameaça a Dona Manuela.
– Muito bem, é costume na minha família que o convidado de honra seja a pessoa que revele maior bondade e abertura face ao desconhecido. Consideramos isso um sinal de carácter nobre. O Sr. Manuel desde que cheguei foi a pessoa que melhor me tratou, deu-me informações sobre a cidade, o que visitar, onde comer e mostrou-se capaz de grande generosidade mesmo perante as fraquezas daqueles que tão bem conhece. Chegou a interceder inclusivamente por alguns de vós, pedindo-me compreensão para alguns comportamentos com que se deparou. Por favor sr. Manuel, quer esclarecer aos presentes os factos que testemunhou durante o seu trabalho?
– Com certeza Senhor. Apercebi-me que se instalou entre os presentes uma suspeita generalizada acerca do senhor Al Amdil Merouthou. A base para esta suspeita parece ter sido a chegada de uma caixa à recepção. – Continuei a relatar os acontecimentos que tinha testemunhado através do sistema de segurança.
A Sra. Rosa ficou vermelha de vergonha, o choninhas encolheu-se, a Maria Cristina fez um ar de virgem ofendida e a Dona Manuela disparou em seguida:
– Muito bem, talvez os nossos métodos não tenham sido lá muito ortodoxos, mas alguém tem de zelar pela segurança das pessoas que aqui vivem. O sr. convidado de honra anda muito distraído, ou ainda não percebeu que este lunático tem uma bomba prestes a explodir naquela caixa.
– O sr. Maroto não nos engana, eu bem vi na etiqueta quando a encomenda chegou, veio do Irão e todos sabemos que eles têm tecnologia nuclear. Admita ao que veio sr. Maroto! – Acrescenta a sra. Rosa
– Merouthou, o meu nome é Merouthou!
– Sim Marotou, foi o que eu disse!!
– Que Alá tenha piedade, fui apanhado! Sr. Manuel quer ter a gentileza de abrir a caixa! – Disse o Xeique
Abro a caixa e explode uma Bomba! Uma bomba de vergonha em todos quantos formularam conclusões precipitadas ao longo dos últimos dias! Retiro do seu interior perante o espanto dos presentes prendas para todos! Para os homens relógios e para as senhoras colares de pérolas!
Quando chego a um lugar novo – começa o Xeique a explicar – gosto de oferecer algumas lembranças como gesto de simpatia e amizade para com as pessoas que me recebem. A única bomba que desejo rebentar é a da amizade. Honrem este vosso vizinho aceitando este pequeno gesto.
Fez-se um silêncio, seguido de agradecimentos embaraçados e convites para jantar! O sr. Merouthou estava finalmente integrado.
Entretanto chega a companheira de apartamento da sra. Briosi. A sra. Rosa ficou pálida
– Desculpem o atraso, perdi alguma coisa!
– Sra. Rosa apresento-lhe a minha irmã! GÉMEA! – diz a sra. Briosi
O choninhas engasgou-se com os olhos arregalados para as duas, a Maria Cristina enciumada espetou-lhe um beijo. A Dona Manuela tentou descolar a filha que estava alapada à boca dele como um polvo. Os miúdos começaram a rir que nem os perdidos, o que acabou por contagiar toda a gente numa gargalhada geral.
As duas semanas seguintes foram as mais calmas dos últimos anos cá no prédio,… e com mais gorjetas!