Desamparo

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Os acontecimentos e circunstâncias internas ou externas que provocam o sentimento de desamparo nas pessoas podem ser muito variáveis! Há pessoas que sentem o chão fugir-lhe debaixo dos pés quando se separam do(a) companheiro(a) de tantos anos. É como se tudo o que davam como certo de repente abanasse violentamente! Os projectos, os sonhos, a confiança e parte do sentido das suas vidas fosse baralhado sem saberem como voltar a dar…

Para outros é quando descobrem que têm uma doença incurável e/ou potencialmente mortal como o cancro, a hepatite ou o H.I.V.. É como se uma terrível realidade entrasse como um furacão pela casa dentro e partisse a mobília toda. Muitas destas notícias têm este efeito sobre os familiares, instalando-se um profundo desamparo perante a possibilidade de perda daquela pessoa que lhes é tão querida.

O desamparo pode ser uma solidão cortante, uma dificuldade em partilhar a vida, ter mais medo de arriscar, de perder ou falhar, do que viver e apreciar a singularidade de cada instante partilhado.

O desamparo pode ser a falta de emprego! Pode ser não ter como pagar as contas assegurar a sobrevivência! O desamparo perante a frustração de não poder realizar os objectivos profissionais!

O desamparo pode ser não ter uns pais que estejam lá para amparar, ajudar, apoiar e confortar perante as angústias que a vida traz. Achar que tem de se crescer sozinho ou depressa demais!

É certamente fácil para quem não vive aquela situação ser crítico ou condescendente perante o desamparo alheio! Muitas pessoas têm sempre opiniões e até soluções para o desamparo dos outros. Parece-me que é na (re)construção do amparo interno que crescemos e nos superamos!

Agora que estamos em época de eleições num Portugal ainda tão desamparado, manifesto-me pelo respeito pelo desamparo do próximo!

Um abraço para todos!

Alexandre Silva

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