O sofrimento silencioso

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Todos nós tivemos situações na nossa família ou contactámos com famílias onde tudo parece funcionar bem! Mas no silêncio há um sofrimento, uma dor que se instala e infelizmente muitas vezes só tardiamente detectada!

Falo por exemplo, da depressão que se vai instalando, por vezes até ao suicídio! A filha com muito sucesso escolar mas que se lava compulsivamente durante horas. O uso de drogas ou o alcoolismo encapotado que todos sentem mas ninguém quer ver! O casal que nunca discutia e que não se percebe bem porquê mas divorcia-se. A filha obediente que se corta! O adolescente apático e sem rumo, dependente do computador! A escravidão no local de trabalho, fonte de stress e desânimo, mas escondida com a imagem de sucesso profissional! A violência doméstica que cresce no segredo de quatro paredes!

Esta dor vai aumentando, crescendo no silêncio e na invisibilidade. Quem sofre vê a cegueira dos outros como desinteresse, abandono e falta de amor! Sentem o interesse dos outros desviado para as suas vidas, as suas carreiras, os seus ipad’s, ipod’s e tablet’s! Quem tem medo de ver, receia falar como se fosse aumentar o problema! É um equívoco, o sofrimento alimenta-se do silêncio e no isolamento!

Neste século XXI da tecnologia e da globalização, fica esquecida a dor individual. Precisamos de um novo dispositivo com uma aplicação para olhar para esta dor e dar-lhe voz. Talvez um “ipain”!  Porque só tendo voz e significado é que esta dor pode ser pensada, amenizada e resolvida! Não pensem que não gosto ou sou contra a tecnologia! É sem dúvida um produto da capacidade criativa do ser humano. Não pode é substituir o nosso equipamento de base, o nosso “hardware emocional”, nem deixar ao abandono o desenvolvimento do nosso “software” relacional!

Não podemos esquecer que já estamos equipados com esta aplicação desde o início dos tempos, é a empatia humana, essa capacidade para nos colocarmos no lugar do outro! A vida saudável é feita de liberdade, é falar de nós e saber o que se passa com os outros! Valorizar quem está mais perto de nós e estar lá para eles! É importante falarmos e ajudar a retirar do silêncio o sofrimento, o nosso e o dos outros! A agradável e tranquilizante surpresa, é que vamos encontrar mais coisas em comum do que poderíamos esperar à partida!

Alexandre Silva

11 Comments on “O sofrimento silencioso

  1. Parabéns pelo blogue Alexandre. Gostei muito deste texto, e “ipain”….?! tem tanto de genial como de assertivo 🙂 Parabéns mais uma vez. Abraço
    Carlos

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  2. Obrigado Carlos, ainda bem que gostou. Espero que possa ir acompanhando os artigos publicados e que possa participar. Também irei ter um espaço com um formulário para as pessoas enviarem cartas com questões, dúvidas ou para partilharem algo sobre a sua vida. A pessoa poderá assinar ou permanecer anónima conforme preferir. Abraço, Alexandre!

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  3. Simplesmente brilhante, temas que cada vez mais pertencem ao nosso cotidiano e não acontecem só aos outros, aqui resumidos de forma magistral que temos de ter a coragem e obrigação de não atiráramos para trás das costas ou subvalorizarmos pensando que eles se resolvem com o tempo ou que sejam efemeridades menos preocupantes do que o cancro…
    Têm a coragem de cobrir uma lacuna muito importante da nossa sociedade o abandono da sanidade mental dos cidadãos, tenho o dever de participar e divulgar.

    Muito grato
    Rui Prado

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    • Concordo consigo Rui, é importante dar voz ao que vai cá dentro! Obrigado pelo seu entusiasmo!

      Abraço,
      Alexandre

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  4. Alexandre, o Borderline tem muita necessidade que os outros o ajudem, mas parece que ele tem dificuldade em ajudar aos outros. Isso realmente acontece? É devido sua personalidade fluída?

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    • As pessoas com personalidade borderline não são todas iguais, não se deve generalizar. Estamos a falar de um tipo de personalidade que oscila entre um pólo mais neurótico e um pólo mais psicótico. A pessoa tem muita necessidade de ajuda dos outros, mas não gosta de reconhecer isto. Não admite o quanto depende e precisa dos outros. No dia em que o puder admitir então começa a melhorar. Relativamente à dificuldade em ajudar os outros não o identifico como um problema específico deste tipo de personalidade. Posso saber o motivo do interesse por este questão?
      Alexandre Silva

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      • O motivo do interesse é por possuir o traço e sempre ouvir isso das pessoas mais íntimas. Mas tento me esforçar a ajudar aos outros quando está a meu alcance, porém quando não consigo, não faço. Parece haver um bloqueio.
        Obrigada pela atenção.

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        • Vou arriscar e dar uma dica que está relacionada com o que disse antes. Quando nos dispomos a ajudar os outros também estamos a admitir para eles que são importantes para nós. Estamos a reconhecer ainda que indirectamente o quanto são importantes para nós. Isto não tem mal nenhum, mas quando se tem muito medo de que os outros nos deixem ou abandonem, então podemos ficar bloqueados por estes medos. Espero ter ajudado. Se quiser comunicar comigo por carta pode fazê-lo através do formulário para o efeito que está na coluna lateral do blog.
          Alexandre Silva

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