Pelos caminhos da depressão!

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O tema da depressão é muito abrangente, pelo que muito pode ser dito sobre o assunto! A minha intenção com este artigo é partilhar alguma informação para que que no fim, o leitor esteja mais esclarecido sobre este problema.Em primeiro lugar, é preciso distinguir entre estar deprimido ou com uma depressão.

É natural que perante certos acontecimentos de vida haja uma reacção depressiva, que fiquemos tristes, deprimidos. Nestas situações é importante poder partilhar e chorar a nossa tristeza. Muito diferente é estar com uma depressão, uma perturbação psíquica que afecta de forma séria a vida da pessoa.

Quando sofremos uma perda na vida ficamos tristes e é importante chorar essa perda. Desta forma, podemos avançar na vida e reinvestir a nossa energia noutras coisas ou pessoas. Ficar na depressão, mais não é do que estar sempre a sofrer pelo que se perdeu. É não aceitar esta perda e pior do que tudo, culpabilizar-mo-nos infinitamente pelo sucedido.As perdas na vida das pessoas podem ter muitas razões. A perda dos pais, de um companheiro(a), de um emprego, de um amigo(a), de um animal de estimação, de um projecto ou sonho que tínhamos para a nossa vida, ou a mais anti-natural de todas, a perda de um filho(a)!

Os sintomas característicos de depressão, são o abatimento na energia vital da pessoa e uma baixa-auto-estima. Não irei aqui fazer uma longa exposição teórica sobre este problema, mas é importante referir que o sofrimento depressivo afecta todos os tipos de personalidade e/ou de perturbações psíquicas. O que muda é a forma e a intensidade com que se manifesta em cada uma delas.

Então o que fazer? Como procurar ajuda? E que tipo de ajuda é que resulta?

Penso que o fundamental é pedir ajuda psicoterapêutica, receber um apoio que permita viver esta perda e avançar na vida! Para alguém que está deprimido esta ideia pode parecer uma traição à pessoa que se perdeu. Será? Será que a pessoa que perdemos e que tanto amávamos não quereria que nós continuássemos a nossa vida e que procurássemos ser felizes. O amor é vida, movimento e criação! Ficar preso no passado é morrer aos poucos e deixar a vida morrer dentro de nós!

Quando há a perda de uma relação amorosa, com alguém que amámos intensamente, e não conseguimos andar com a vida para a frente? Se a pessoa fica presa aquele amor, como se fosse inconcebível aceitar a separação! Será amor? Será que é uma dependência? Será saudável ou doentio?

Numa relação o outro deveria vir acrescentar felicidade à nossa vida. Se existe apenas para nos dar aquilo que não encontramos dentro de nós ficamos dependentes. É aqui que a partida do outro é como perdermos uma parte de nós próprios, o que se pode tornar uma dor insuportável e inaceitável!

O outro fica idealizado como dono de todas as qualidades, e o próprio desidealizado como responsável pela sua partida. Assim. fica o abatimento e a baixa-auto-estima, e todos os pensamentos depressivos decorrentes: «Foi-se embora porque não gosta de mim! Não gosta de mim porque eu não presto, não tenho qualidades para ele(a) gostar de mim! Se eu tivesse feito… não se teria ido embora! Se eu fizer… talvez volte!». Muitas vezes a pessoa deprimida alimenta uma ideia de sacrifício: «Um dia, ele(a) vai reconhecer a grandeza do meu amor e volta. Vai ver que não há ninguém no mundo que o(a) ame tanto quanto eu!» Não resulta e só piora a depressão!

É importante em qualquer perda seja por morte ou por separação, aceitar a perda e fazer o luto. É um processo que passa por guardar as coisas boas que tivemos com aquela pessoa e avançar na vida. O que fica dentro de nós não se perde! Quando a pessoa não consegue guardar estas coisas, é porque tem esta função psíquica afectada, precisa de a (re)construir!

Muito mais há a dizer sobre este tema, porém termino com esta ideia tranquilizante para as minhas e espero que para as vossas angústias depressivas: Chorem acompanhados e avancem! Só assim poderão recuperar um verdadeiro sorriso de alegria!

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Alexandre Silva

(Psicólogo Clínico)

One Comment on “Pelos caminhos da depressão!

  1. Eu estou sofrendo muito há mais de um ano, pela perda de uma história que não consegui superar. Voltei a me envolver com um grande amor do passado, mas ele tinha outro relacionamento, me submeti as mais diversas formas de humilhação, apenas para tê-lo ao meu lado. Estava infeliz e queria que ele preenchesse o vazio que havia em minha vida, mas do contrário, só fez aumentar ainda mais, pois eu o via viver com outra pessoa tudo que queria viver com ele: o amor, o companheirismo, a vida em comum. Me sentia cada vez mais deprimida, triste, perdi o brilho do meu olhar, a minha saúde, autoestima, perdi enfim, a alegria de viver. Nunca pude viver este luto. Volta e meia as lembranças mais doídas vinham na minha mente, e eu ia atrás dele “gritar” isso, o quanto eu estava sofrendo, o quanto eu estava magoada, queria que o mundo parasse enquanto eu não conseguia parar de sofrer, mas isso não é possível, então as coisas passaram, a minha vida passou, e eu não. O sentimento continuava ali, latejando. Não vivi a minha dor até o fim, queria negá-la, não tive um pedido de perdão, e não consegui nem perdoar a mim mesma. Então a solução que encontrei foi matar a pessoa dentro da minha vida. Pois nem ele nem ninguém é capaz de compreender o meu sofrimento. Estou em processo psicoterapêutico há 3 meses, e tentando retomar a minha vida. Acredito que um dia essa dor irá passar, e finalmente voltarei a viver feliz e em paz como já fui um dia. 😦

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