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FALAR COM PESSOAS DIFÍCEIS? COMO SOBREVIVER SEM SOFRER!

Publicado em Fevereiro 1, 2017 por Alexandre Castro e Silva - Psicólogo Clínico

2 comentários

 

p-dificeis

 

O que são pessoas difíceis? Como podemos falar com elas? Estas são algumas das questões que nos assaltam quando estamos com pessoas com as quais o diálogo é particularmente difícil. Sentimos que não nos ouvem, são conflituosas, confundem ou distorcem os acontecimentos, agridem-nos, exploram a nossa bondade ou tentam destruir o nosso amor-próprio.

A personalidade pode ser vista como o conjunto estável de sentimentos, perceções, defesas e comportamentos que tendencialmente usamos para lidar com as situações. Consideramos que as pessoas são “difíceis” quando têm uma tendência a revelar traços de personalidade cujo funcionamento e dinâmica causam sofrimento ao próprio e/ou a outros. É o sofrimento que nos infligem ou que observamos estarem a viver, que nos alerta e faz sentir a marca da dificuldade na comunicação e relação com elas.

Encontramo-las em todo o lado, no trabalho, na família de origem e mesmo nos grupos de amigos e se neste último podemos sempre evitá-los, já no trabalho será mais difícil e como o povo diz, “a família não se escolhe”. Se por acaso escolheu viver com uma pessoa difícil, as ideias que aqui deixamos podem não ser suficientes. O melhor será começar a complexa tarefa de a motivar a começar uma psicoterapia.

A pessoa difícil pode ser aquele colega que não nos ouve e que acha que só ele é que faz tudo bem, o chefe que só critica e não sabe ou não quer reconhecer o nosso valor, o namorado ciumento que implica sempre que desconfia que um colega ou amigo enviou um SMS ou o amigo que passa o tempo todo a falar dele num autoelogio interminável.

Há circunstâncias específicas que podem levar a que uma pessoa possa ter um comportamento mais exagerado, o que não significa que estejamos na presença de uma “pessoa difícil”. É natural que ao perdermos uma pessoa querida, venha ao de cima o lado depressivo da nossa personalidade, sentindo-nos tristes e abatidos. Se formos continuamente vigiados, humilhados e prejudicados e no trabalho, também se compreende que o lado paranoide emerja em nós, ficamos com medo, desconfiados, vigilantes e com sentimentos de perseguição.

Ao longo da história da psicologia, psiquiatria e psicanálise muitos autores têm procurado categorizar os diferentes tipos de personalidade e respetivas perturbações. A psicanalista americana Nancy Macwilliams descreveu na sua obra Psychoanalytic Diagnosis publicada em 2011, 9 tipos de personalidade que na minha opinião nos ajudam a compreender e enquadrar uma grande parte do funcionamento psicológico do ser humano. Nesta crónica usarei a sua categorização mas, limitarei a minha abordagem a três tipos de “pessoas difíceis”, suas características e ideias de como lidar com elas. Sendo este um tema extenso, cuja explicação detalhada ultrapassaria o objetivo desta crónica, a minha escolha recai sobre os três tipos de personalidade que mais sofrimento causam aos outros quando se encontram perturbadas.

Psicopata/antissocial – Este tipo de pessoas pode ser encontrado numa linha que vai do normal ao patológico, não se restringindo assim a pessoas que cometem crimes ou têm problemas com a lei. São pessoas cuja necessidade fundamental é exercer poder sobre os outros e por isso, são hábeis em perceber o calcanhar de Aquiles alheio. Alimentam assim uma imagem de grandiosidade de si mesmos e, se por algum motivo, a realidade ou os outros lhes lembrarem a sua condição humana então tentarão restaurar a sua autoestima exercendo poder. São pessoas que usam as emoções para manipular os outros, os afetos não têm valor ou eco interior. Quando sentem emoções, é como uma explosão! Desvalorizam ativamente os aspetos mais sensíveis da experiência humana, visto que só experiências radicalmente extremas despertam a intensidade emocional que pode levar à satisfação das suas necessidades. Verbal Kint, o personagem que o ator Kevin Spacey interpreta genialmente no filme Os Suspeitos do Costume, é um bom retrato desta manipulação dos outros através da exploração das suas fraquezas.

O que fazer e como falar com estas pessoas? O fundamental é procurar ser absolutamente consistente, não ceder nos princípios e regras do contexto em que se encontra. No trabalho e na vida pessoal guie-se pelas regras de conduta que considera essenciais para garantir a sua segurança e tranquilidade. Ceder sob que pretexto for, será visto como fraqueza e vulnerabilidade. Se for pressionado não procure demonstrar empatia ou flexibilidade, na esperança de provocar um sentimento de gratidão ou apreço, pelo contrário, ela sentirá um triunfo da sua arte de bem manipular. Não espere amor ou amizade de uma pessoa destas, mas pode obter o seu respeito se for incorruptível. Com estas pessoas temos de tratá-las com respeito, mas sem deferências, ser diretos, manter a nossa palavra e relembrar-lhes a realidade com tenacidade. Muitas vezes, quando trabalhei com pacientes destes em contexto de internamento, usavam a chantagem emocional ameaçando abandonar o tratamento, com o objetivo de poderem usufruir de privilégios a que não tinham direito.

Narcísico – São pessoas que mantém a autoestima através da exibição dos seus troféus, isto é, o fantástico carro novo, a conquista amorosa, a casa, o barco, o estatuto social ou profissional, os restaurantes que frequentam, em resumo, o sucesso que têm! O psicanalista António Coimbra de Matos (1983) é o autor que melhor explicou a génese do narcisismo saudável:

Ser amado – Amar-se a si próprio – Amar os outros

Parafraseando o autor: O orgulhoso tem brio, o vaidoso procura brilhar. Nestas pessoas ficou um défice no ser amado, vivem com o pavor da vergonha e da inferioridade e sobretudo utilizam defesas de idealização e desvalorização de forma complementar. Se o self é idealizado, desvalorizam os outros e vice-versa. O perfecionismo também é uma manobra defensiva que ao resultar alimenta o seu sentimento de grandiosidade e superioridade sobre os outros, se falha, sentem-se fracassadas e deprimidas, como se errar não fosse humano. Revelam uma capacidade de amar superficial, embora a necessidade dos outros seja vital para poder compensar o seu défice narcísico, pelo que não é de esperar reciprocidade. Na literatura, Gatsby a personagem central do romance de F. Scott Fitzgerald do Grande Gatsby é um bom exemplo do que acabamos de descrever.

O que fazer e como falar com estas pessoas? Ter paciência com elas, ajudá-las a perceber e aceitar as imperfeições humanas. Quando forem bem-sucedidas é importante felicitá-las de forma sincera, respeitar as regras de boa educação evitando que se sintam menosprezadas. Quando falar de si seja contido ao falar do que lhe corre bem e das suas conquistas, evitará suscitar uma inveja destrutiva.

Paranoide – Estas pessoas rejeitam as suas qualidades negativas, evacuando-as através do mecanismo de defesa da projeção. “Eu não sou conflituoso, os outros é que me provocam. Eu não a odeio, ela odeia-me.” Os sentimentos e fantasias negativas passam a ser ameaças externas. Vivem num permanente estado de desconfiança, vigilantes com receio das ameaças, o que lhes provoca uma intensa raiva. Nancy Macwilliams refere a este propósito uma conhecida anedota sobre este funcionamento:

Um homem vai até à casa do seu vizinho para pedir emprestada uma máquina de cortar relva, pensando em como ele é simpático por lhe fazer estes favores. Mas, à medida que vai caminhando em direção à casa, começa a ter dúvidas em relação ao empréstimo. Talvez o vizinho prefira não emprestar, talvez pense mal dele, afinal que raio de pessoa é ele que não tem dinheiro para comprar a sua própria máquina. Quando chega à porta, as dúvidas atingiram um nível tão grande de raiva que, no momento em que o amigo aparece, o homem grita: “Sabes o que é que podes fazer com a tua maldita máquina de cortar relva?! Enfia-a no C…!

O medo é de ser destruído, e a negação do sentimento de vergonha surge através do sentimento de perseguição de que os outros o querem humilhar. Muitas vezes, este processo é acompanhado por uma consciência de um self megalomaníaco. Estas pessoas vivem apavoradas, estão convencidas de que se as pessoas os conhecerem como realmente são, com os seus defeitos não os vão aceitar, ficarão chocadas.

 

O que fazer? Como falar com estas pessoas?

O uso do humor pode ser importante, desde que seja usado com algum cuidado, brincar sendo absolutamente claro que não está a gozar com a pessoa. Não ponha em causa as interpretações paranoides, vai achar que lhe está a chamar maluco, mostre que há a hipótese de existirem outras leituras possíveis. Não ataque a imagem que tem de si próprio, nem o deixe numa posição vulnerável. Procure esclarecer as situações confusas para fique mais fácil estabelecer uma relação de confiança. Seja franco, honesto e paciente.

As outras modalidades de “pessoas difíceis” que aqui não foram abordadas deixarei para futuras crónicas do inconsciente. Finalmente, quero sublinhar que o funcionamento mental aqui descrito sobre estas pessoas é em larga medida inconsciente, sendo importante não julgar ou condenar, contudo se quer sobreviver na relação com elas, aprenda a proteger-se ativamente das suas peculiaridades.

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Category: Crónicas, Psicologia, Psicologia Clínica, Sociedade, ViolênciaTags: Agressividade, crónica, Pessoas Dificeis, Psicólogo, Psicólogo Alexandre Castro e Silva, psicologia, psicologia clínica, Social, Violência

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2 Comments on “FALAR COM PESSOAS DIFÍCEIS? COMO SOBREVIVER SEM SOFRER!”

  1. Bel's avatarBel
    Maio 31, 2018

    E como lidar quando a pessoa dificil no seu trabalho, é justamente um psicólogo? Um ótimo profissional na área dele, mas que colabora com atitudes erradas de funcionários e paciente mentais?

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    Responder
    • Alexandre Castro e Silva - Psicólogo Clínico's avataropsicologoresponde - Alexandre Silva
      Julho 16, 2018

      Olá,

      Já tentou falar com ele e procurar a sua ajuda.

      GostarGostar

      Responder

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